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Greve internacional de mulheres: em 8 de março, elas tomarão as ruas em mais de 30 países para protestar por direitos

03/03/2017

Escrito por: Mônica Nunes - Conexão Planeta

 

Quando o momento exige, não há melhor forma para se fazer ouvir do que sair às ruas em grupo e protestar. E é isso que milhares de mulheres pelo mundo farão no Dia Internacional da Mulher, que – apesar de ter sido deturpada ao longo da história pelo comércio –, é uma data muito propícia para esta manifestação. A ideia é, inclusive, dar um novo tom a esse dia, resgatando sua intenção original.

Para isso, é imprescindível envolver não só as mulheres, mas homens, adolescentes, famílias, transgêneros e todos que reconheçam a legitimidade da mobilização e também queiram lutar por direitos.

Quem puxou essa grande manifestação mundial – que está sendo chamada informalmente de greve internacional feminina já que envolverá mais de 30 países – foram dois dos maiores movimentos feministas do mundo: Ni Una Menos, que começou na Argentina e se espalhou pela América Latina, e a Marcha das Mulheres pelo Mundo.

A ideia é transformar 8 de março em um marco para novas relações com as mulheres nas sociedades, protestando contra as desigualdades de gênero, o machismo, o feminicídio, a exploração no trabalho e a desumanização feminina. Como? Convocando todas as mulheres a abandonarem seus postos de trabalhos (seja onde for!) e sair às ruas.

Entre os países que já confirmaram sua adesão, por intermédio de grupos feministas, estão Austrália, Bolívia, Brasil, Chile, Costa Rica, República Checa, Equador, Inglaterra, França, Alemanha, Guatemala, Honduras, Islândia, Irlanda do Norte, Irlanda, Israel, Itália, México, Nicarágua, Peru, Polônia, Rússia, El Salvador, Escócia, Coreia do Sul, Suécia, Togo, Turquia, Uruguai e EUA.

Essa greve começou a ser planejada depois de dois protestos realizados em 2016: um em 3 de outubro (que ficou conhecido como segunda negra), na Polônia, contra a lei do aborto, e outro, no mesmo mês, no dia 19 (vulgo quarta feira negra) na Argentina, que uniu milhares de mulheres contra os assassinatos ocorridos naquele ano – foram cerca de 200!

Mas a inspiração para este tipo de protesto – que intervém diretamente na produção – veio, na verdade, da Islândia. Em 24 de outubro de 1975, 90% das islandesas abandonaram o trabalho e foram às ruas para lutar por igualdade de direitos. A manifestação ficou conhecida como Dia Livre das Mulheres e conseguiu dar visibilidade para dois fatos importantes: a diferença vergonhosa de salários entre homens e mulheres e o trabalho doméstico não remunerado.

Carta e nova imagem

Na semana passada, a americana Angela Davis e ativistas das universidades assinaram carta publicada no jornal The Guardian – Mulheres dos Estados Unidos: estamos em greve. Junte-se a nós para que Trump veja o nosso poder – na qual convidam as americanas para aderir à greve geral “contra a violência masculina e em defesa dos direitos reprodutivos”. Sua intenção é mobilizar não só mulheres, mas também transgêneros, para construir uma nova agenda: “antirracista, anti-imperialista, anti-neoliberal e anti-heteronormativa”.

Entre elas, há um enorme sentimento de ojeriza ao marketing do falso “empoderamento” e à imagem do feminismo corporativo, que apenas incentivaram políticas conservadoras e as regras do livre mercado para as mulheres, mesmo em políticas que pareciam voltadas para defender seus direitos.

E isso ficou ainda mais claro com o barulho feito pela Marcha das Mulheres em 21 de janeiro, encorajando-as a buscar uma nova fase para a luta pela igualdade de gênero. As americanas estão chamando essa nova onda de mobilizações planetárias de Feminismo do 99% , enfatizando os direitos sociais.  Não há dúvida de que a mudança para um novo e mais justo futuro só poderá ser feita por mulheres corajosas – e homens e outros gêneros idem. Mulheres de todo mundo vão abandonar seus postos de trabalho no próximo dia 8 de março exatamente por isso.

No Brasil, bem que poderíamos aproveitar a data para fazer um protesto ainda mais amplo em todos os sentidos, dada à urgência de combater nossa realidade política: um protesto com mulheres, homens, jovens, crianças, aposentados, trabalhadores, desempregados… pelas mulheres, claro! Mas também pela volta da democracia, dos direitos humanos, da justiça, da humanidade. E por eleições diretas. Aqui, todos os direitos estão sendo perdidos.

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