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A luta é pela classe trabalhadora

28/05/2018

Escrito por: Por Jandyra Uehara Alves - Diretoria Executiva Nacional da CUT

Instabilidade política crescente, putrefação institucional, aceleração da crise econômica, do retrocesso nos salários, nos direitos e na vida da classe trabalhadora, aprofundamento acelerado de uma crise social sem precedentes. Cresce a insatisfação popular, há sinais de convulsão social e ficam evidentes as contradições e as divisões no campo da burguesia.

 

Com a crise dos combustíveis, o caráter entreguista e privatista do golpe escancara os seus efeitos nefastos sobre a vida da classe trabalhadora e na economia do país, mostrando as consequências da política de destruição do caráter público da Petrobrás, iniciada em 2016 após a deposição de Dilma.

 

O aumento do preço dos combustíveis e do gás é parte fundamental do plano de privatização da Petrobrás, com a política golpista de atrelamento dos reajustes aos preços internacionais e com a proposital redução da produção interna de combustível, deixando ociosas refinarias e importando combustíveis a preços exorbitantes.

 

Ao mesmo tempo em que atinge a classe trabalhadora, a aceleração do desmonte da Petrobrás, para total entrega ao capital internacional, prejudica também setores da classe dos capitalistas, provocando divisões que se expressam de forma diversa na conjuntura: da dificuldade em articular candidaturas no campo conservador ao locaute dos empresários do transporte, passando por uma série de outras disputas originárias dos efeitos da política macroeconômica sobre os diferentes segmentos do capital.

 

O movimento dos caminhoneiros iniciado na última segunda feira, dia 21 de maio, é complexo e diversificado e traz características tanto de greve quanto de locaute: autônomos e assalariados, pequenos, médios e grandes empresários. E embora de início a direção política do movimento tivesse cara patronal, ficou evidente com manutenção da greve, apesar da trégua das entidades supostamente representativas, que se trata de um movimento muito mais diversificado e complexo e que a caracterização exclusiva de locaute não dá conta de explicar. Tem greve e tem locaute. E tem uma legítima e concreta insatisfação com os efeitos da política do golpista, que se soma à aversão popular e às lutas que os diferentes segmentos da classe trabalhadora travam contra a restauração neoliberal e o governo Temer.

 

A greve dos caminhoneiros autônomos e o locaute das grandes empresas de transporte desestabilizaram o governo e o congresso golpistas esta semana, aprofundando a crise multifacetária em que o país está mergulhado.

 

Embora o movimento dos caminhoneiros revele contradições e choque de interesses imediatos entre setores do capital, e conquiste a simpatia da maioria da população arrochada pelos sucessivos e exorbitantes aumentos dos preços do gás e combustíveis, a pauta levada à mesa de negociação pelos supostos representantes do movimento não se conecta com as reivindicações da classe trabalhadora e não atinge a política entreguista e privatista do governo Temer.

 

Além de tratar exclusivamente do preço do diesel, os negociadores pleiteiam redução do preço via eliminação de impostos – PIS PASEP COFINS, ou seja, defendem jogar a conta nas costas do povo, atacando recursos que deveriam ser utilizados no financiamento das políticas sociais e do setor público, mantendo inalterada a famigerada política de preços do governo Temer e da gestão Parente.

 

Ou seja, a reivindicação colocada na mesa pelas entidades que negociam com o governo o fim do movimento, preserva os principais interesses dos golpistas e do capital financeiro, jogando lenha na política de privatização da Petrobrás.

 

Porém, a greve e locaute dos caminhoneiros, trouxe um cenário de acirramento da luta de classes, aguçou as contradições e colocou os golpistas na defensiva, abrindo a oportunidade para que a CUT, a FUP, seus ramos, categorias, sindicatos e a Frente Brasil Popular  entrem com força e a quente na disputa política em defesa dos interesses da classe trabalhadora, reorientando as reivindicações e construindo um processo de lutas unitárias, retomando as ruas e a iniciativa política.

 

No dia 17 de maio, após dezenas de assembleias com a participação massiva da categoria petroleira, a FUP deliberou  a construção de uma grande greve geral por tempo indeterminado envolvendo os trabalhadores próprios e terceirizados em todas as unidades do sistema Petrobrás . A greve por tempo indeterminado foi aprovada por mais de 90% dos petroleiros, em resposta ao maior desmonte da história da Petrobrás, que avança agora sobre as refinarias, fábricas de fertilizantes, terminais e dutos da Transpetro.

 

Os eixos da greve dos petroleiros respondem não somente aos interesses da categoria, mas atende aos interesses do conjunto da classe trabalhadora e da maioria do povo: pela redução dos preços dos combustíveis e do gás de cozinha; pela manutenção dos empregos e retomada da produção interna de combustíveis, pelo fim das importações da gasolina e outros derivados de petróleo, contra as privatizações e o desmonte do Sistema Petrobrás.

 

Ou seja, o fundamental agora é colocar as nossas tropas em movimento, aproveitar as contradições que estão expostas com a greve-locaute e a desestabilização do governo golpista, organizar a luta e as reivindicações  e ampliar as mobilizações, tendo como centro a greve dos petroleiros.

 

Se a caracterização do movimento dos caminhoneiros é importante para a análise do comportamento das forças políticas do capital e da direita, mais importante agora é entrar na luta direta contra os golpistas, contra a intervenção militar, colocando com força a articulação da defesa da democracia com a luta pelos direitos  do povo.

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